quinta-feira, 2 de setembro de 2010

"A regra não é clara", por Edu

Vivo em autódromos pelo Brasil. Novidade nenhuma quanto a isso. Frequentar autódromos, a exemplo de absolutamente todas as outras coisas, traz atribulações. No meu caso, sempre bastante trabalho a executar. Mas também há recompensas aprazíveis. Entre elas, a convivência com pessoas que fizeram e fazem e viveram e vivem o automobilismo. Dar exemplos seria indução fácil ao pecado da omissão. Portanto, atenho-me ao nome do único doutor automobilístico, expressão em que pensei agora e que não sei se já foi usada por alguém, que interessa para o contexto de ora.

Eduardo Homem de Mello é das pessoas que tenho orgulho de citar. "Sou amigo do Edu", digo na roda de cerveja lá no posto, e os colegas que acompanham o automobilismo exclamam "ooooh!". Não é exatamente assim que acontece, nem perto disso, também inventei isso agora, mas Edu é, sim, uma referência irrefutável quando o assunto em questão tem a ver com corridas de carros. E de motos também.

Conversar com Edu nos bastidores do autódromo - e citá-lo assim não é uma tentativa forçada de demonstrar alguma intimidade, é por "Edu" que todos o chamam - não deixa de ser uma escola. Um curso sobre o mundo das corridas, e que ele não me leia, caso contrário pode desembestar de cobrar pelas aulas que inadvertidamente dá. Esse viveu e vive e fez e faz o automobilismo. Hoje, é verdade, mais fora da pista do que dentro dela, onde atém a permanência do sobrenome às atuações do filho Cássio na Copa Montana.

Num bate-papo recente, Edu falou-me sobre uns rabiscos que tinha escrito a esmo. Pedi para que mandasse-mos por e-mail, assim o fez. Li, liguei para ele, pedi para publicar suas considerações aqui no mambembe BLuc, ao que não apresentou qualquer objeção.

Bom para mim, ao menos. Não é todo dia que se pode preencher uma falta de assunto, ou de disposição para escrever sobre qualquer coisa, com considerações assinadas por Eduardo Homem de Mello. Ei-las, ipsis litteris.

A REGRA NÃO É CLARA

Há algum tempo o telespectador mais atento tem notado algumas situações embaraçosas que o narrador Téo José e eu temos enfrentado durante as transmissões das corridas da Fórmula Truck na Band e Bandsposrts, em decorrência das determinações equivocadas no cumprimento de punições impostas aos pilotos.

Infelizmente a interpretação da regra não é clara, pois permite mais de uma interpretação e quase sempre intuitiva, prejudicando pilotos e confundindo as informações levadas por nós aos milhares de fãs da categoria por todo o Brasil.

Sem entrar no mérito da questão, deixando de lado quem está certo ou errado, é seguro que este tipo de situação duvidosa não pode ocorrer em categoria alguma, muito menos em uma categoria do porte da Fórmula Truck, cuja importância está muito acima da aplicação de punições duvidosas ou incorretas e que muitas vezes determinam o resultado final de uma corrida.

A análise e a punição de uma situação desportiva são feitas pelos Comissários Desportivos e não pelo Diretor de Prova, como equivocadamente algumas pessoas imaginam.

Ao Diretor de Prova cabe apenas ordenar o cumprimento da pena e outras dezenas de atribuições que não vêm ao caso agora, mas é certo que ele não é o responsável pelos equívocos ocorridos ultimamente e com uma certa constância.

Faz muito tempo que venho defendendo a tese e sugerindo às autoridades do automobilismo que convidem ex-pilotos para integrar o time de comissariado das corridas de um modo geral e não só da Fórmula Truck, pois quem nunca sentou em um carro de corrida jamais poderá julgar com maior justiça uma situação de atitude antidesportiva.

Se no futebol temos ex-juízes de futebol comentando a arbitragem, ex-goleiros julgando a atuação dos que ainda estão em atividade, ex-jogadores também contribuindo para uma análise mais clara do jogo, ex-piloto comentando corridas na TV (como é o meu caso), por que então não ter ex-pilotos julgando situações tão delicadas e perigosas como as que vêm ocorrendo no esporte e que, como eu disse muitas vezes, determinam o resultado equivocado de uma corrida?

Na etapa de São Paulo da Fórmula Truck nesta temporada 2010, um verdadeiro festival de absurdos ocorreu durante a prova e eu informando o que estava no regulamento e o corpo diretivo tomando decisões contrárias ao que diz a regra, justamente por ter mais de uma interpretação no regulamento.

Cada categoria tem regras e características próprias e para tal existe o que chamamos de “Regulamento Particular”. A aplicação, o cumprimento das regras e as punições impostas estão devidamente descritos e devem ser obedecidos com a mais absoluta fidelidade.

Nos casos omissos deste regulamento e demais regras comuns ao esporte, deve ser consultado e obedecido o CDA (Código Desportivo do Automobilismo), uma espécie de bíblia onde ao se analisar toda e qualquer dúvida ele se sobrepõe a todos os outros regulamentos existentes, é soberano por sua importância.

Destaco a seguir duas regras essenciais à realização das corridas de Fórmula Truck:

1) Excesso de fumaça: o acerto da mistura de combustível deve ser rigorosamente aplicado pelos técnicos das equipes para que o motor não libere nenhuma fumaça pelo escapamento. Caso isto ocorra, o piloto é chamado ao box para reparar o defeito, cumprindo assim uma punição justa constante claramente no regulamento particular da categoria.
2) Excesso de velocidade no radar: Para maior segurança a categoria restringe a velocidade dos caminhões em um determinado trecho do circuito. No ponto de maior velocidade da pista é colocado um radar e o piloto chega naquele trecho a mais de 200 km/h e é obrigado a reduzir sua velocidade para 160 km/h . O excesso de velocidade é passível de uma punição chamada drive-through, com o piloto sendo obrigado a passar pelos boxes, ou área determinada pela Direção de Prova, em velocidade reduzida.

O texto do artigo 6.5 do regulamento particular da categoria, disponibilizado no site da Confederação Brasileira de Automobilismo, diz o seguinte: “Após todos os pilotos completarem 1/3 (um terço) da prova, o Pace Truck entrará obrigatoriamente na pista (corrida neutralizada), por no mínimo 2 (duas) voltas, com os carros de apoio (serviço), para limpeza e retirada de veículos da pista, sendo permitido a entrada dos caminhões no Box, inclusive para pagamento de penalidades por excesso de velocidade e fumaça.”

Ao interpretarmos o texto acima chegamos à conclusão que um erro absurdo foi cometido na etapa de São Paulo, quando foi permitido que o piloto Leandro Totti entrasse durante a permanência do Pace Truck na pista na área designada para cumprimento de uma punição por queima de relargada.

Percebam que no texto do artigo 6.5 é permitida a entrada do caminhão nos boxes, inclusive para pagamento de duas penas somente, excesso de velocidade no radar e fumaça, sendo omisso no que diz respeito à punição por queima de largada e/ou relargada.

Por esta e outras confusões geradas pelas atitudes confusas dos Comissários, peço desculpas aos telespectadores e tomo a liberdade de me desculpar também em nome do Téo José, que narra o que vê no monitor e no que informo a ele baseado na escuta da comunicação de rádio entre direção de prova e organização.

Além disso, fazemos consultas online sobre regulamento, estatísticas, resultados, etc., tudo com o intuito único de levar ao telespectador a informação com a maior precisão e invariavelmente nos deparamos com informações desencontradas como na corrida em questão.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Nada de que reclamar

Demorou, mas enfim consegui encaixar um fim de semana de proveito duplo em uma das ene vindas a São Paulo. Mais que duplo, até.

Depois de três dias de locução do Porsche Cup em Interlagos, onde atuei em corridas boas como não se vê a todo domingo, consegui aproveitar que a programação no autódromo terminou bem cedo, acompanhei uma turma de amigos a uma ótima churrascaria – almoçar às três e meia da tarde é interessante – e, sem mais nenhum compromisso para atender, demos uma esticada a São Bernardo do Campo, a terra do cara.

Foi lá, numa festa promovida por uma emissora de rádio para algo alusivo a motoboys, não entendi direito, que voltamos, Juli e eu, a acompanhar um show de Lincon & Luan. Eu devia essa visita há tempo, para eles e para mim mesmo. Ótima dupla do novo estilo sertanejo. Que saiu lá de Cascavel, do palco o mesmo bar onde hoje tocam Luc & Juli – neste caso vale frisar a marca –, e tem feito um sucesso e tanto para as bandas de cá.

Fomos ao ABC paulista com time completo. Eu com a Juli, Danilo Gaidarji com a Regiane, Pedro Rodrigo com a Natália. Edy, a esposa do Luan, estava na área também. Rever os amigos é bom, mesmo quando estão trabalhando. No caso de Lincon & Luan, não tenho o mínimo dó de ver amigos trabalhando em pleno domingo. Primeiro, porque também trabalho aos domingos, em todos eles. Segundo, porque foi atrás do trabalho deles, também, que fomos para lá. Música de ótima qualidade.

Havia tempo que não os via em ação. Danilo e Pedro, que em princípio não foram tão receptivos quanto suas patroas ao convite, flagraram-se dançando ao lado do palco, de onde acompanhamos a apresentação toda com visão privilegiada. Depois do show, um animado bate-papo, uma rodada de vinho no apê do Luan e a vinda para nossa hospedaria, de onde saímos na madrugada, Juli e eu, de volta para Cascavel.

Agora, antes de dormir, a última ação da madrugada. Tratei de me certificar do óbvio – o Corinthians havia abotoado o Vitória e o fraco Fluminense tropeçou em casa no cintilante confronto com o São Paulo. Tudo normal.

Foi um domingo legal.

domingo, 29 de agosto de 2010

"Eu não tenho foco"

Até poderia concluir que a editoria estava sem pauta, mas poderia soar deselegante. E se há algo que não sou é deselegante, e se alguém disser que sou eu cubro no tapa.

Enfim, não sei o que passou pelas cabeças do Diego Kruger e do Luiz Carlos Wessler, rapaziada da nova safra do jornalismo esportivo de Cascavel, para elegerem a mim como assunto de uma matéria em seu jornal. Os dois revezam a editoria de esportes da Gazeta do Paraná e, sei lá por que cargas d’água, concluíram que as besteiras que vivo contando em mesas de boteco poderiam render uma matéria.

Matéria que está na edição de hoje, fruto de um bom bate-papo entre mim e Luiz durante a semana, acho que na quarta-feira à noite, no Barra Chopp. O exagerado não achou o limite para o enredo e distribuiu o conteúdo em página espelhada, como na reprodução aí acima. Teve a cortesia de citar, inclusive, o jornal O Paraná, concorrente direto da Gazeta, onde trabalhei por quase 18 anos. Quem é do Paraná e não tiver o que fazer hoje pode conferir no jornal. Está na internet, também, não sei se para todos os mortais ou só para assinantes. Vou tratar de descobrir.

Nunca tinha conversado pessoalmente com Luiz, é verdade, apesar de já termos trocado quilômetros de linhas pela internet. Sujeito que tem umas histórias bacanas, também. Qualquer hora, conto-as aqui no BLuc. É compromisso.

Como estou em São Paulo e a Gazeta não circula por aqui, alguém aí da minha vizinhança reserva umas cinco edições? Pago por elas quando voltar, na terça-feira.

sábado, 28 de agosto de 2010

Sábado de cão

Não costumo usar esse espaço aqui, já chamado marotamente por entes vis e desprezíveis como “querido diário”, mas o lado pitoresco da encrenca toda merece no mínimo um registro mambembe para ser consultado na posteridade.

A Risi Competizione, equipe do meu conterrâneo, amigo e cliente Jaime Melo (foto), teve um início de participação louvável na oitava e penúltima etapa da American Le Mans Series. A corrida vai rolar amanhã na pista de Mosport. É na cidade de Bowmanville, estado de Ontario, Canadá.

Ontem, primeiros treinos livres, a equipe colocou seus carros em primeiro em segundo. À frente, Pierre Kaffer e Toni Vilander, dupla de ocasião formada com dois dos vários pilotos que servem ao time de Houston. Melo e Gianmaria Bruni, dupla fixa, ficaram em segundo. Eles são vice-líderes do campeonato, pela classe GT, chegaram ao Canadá precisando da vitória a qualquer custo para diminuir a vantagem de Jörg Bergmeister e Patrick Long. E os líderes tinham ficado só em oitavo lugar com seu Porsche. O panorama desenhava-se perfeito.

Hoje, contudo, as coisas começaram a dar errado. No treino livre, Kaffer, nascido na Suíça e naturalizado alemão, estampou uma das Ferrari na segunda curva da pista. Vinha em quinta marcha, a cerca de 240 km/h. Baixou no hospital, aquela correria toda, exames e mais exames. Teve alta, nada de ferimentos graves, mas nem o carro e nem ele teriam condições de fazer tomada de tempos hoje e corrida amanhã.

Mais tarde, foi a vez de Melo receber atenção médica. Não bateu, mas estava mal. Os exames diagnosticaram uma virose estomacal – minha esposa, que trabalhou por muito tempo no ramo de farmácias, garante que esse termo está correto. Vetado pelos médicos.

Sobraram à Risi um dos dois carros e dois dos quatro pilotos. E é com isso que a equipe vai competir amanhã. Gianmaria – a quem Jaime se refere como “Gimmi” – e Toni improvisam uma nova dupla, com o carro que o italiano costuma revezar com o brasileiro. Se Gimmi sair do Canadá com chance de título, Gimmi irá para a Petit Le Mans, Jaime irá à etapa final, a Petit Le Mans, com a missão inglória de suar sangue para vencer para ver o companheiro ser campeão sozinho.

Uma situação que já teve o próprio brasileiro envolvido, em 2006. Ele disputava o Mundial FIA GT em dupla com Matteo Bobbi. Os dois lideravam o campeonato. Por um motivo que me foge à memória, o italiano não pôde participar da etapa final. Jaime marcou uns pontinhos na última corrida e foi campeão. O parceiro do ano quase todo ficou chupando o dedo na festa do título.

Gimmi, em Mosport, conseguiu a pole. Que possa contar com Jaime para dar outro título à Ferrari. Há uma única possibilidade, remota, do cascavelense repetir o título que comemorou na American Le Mans três anos atrás: seu companheiro se dar mal amanhã e não marcar nenhum ponto. Para isso, seria necessário Jörg e Patrick também ficarem a zero, ou perto disso. E se há uma coisa que os dois não vêm tendo em 2010 é contratempo.

Mas sempre tem uma primeira vez, né...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Espetáculo tipo exportação

Sempre há umas novidades legais aqui no Porsche GT3 Cup Challenge. Categoria que volta à cena depois de uns dois meses e alguns dias de intervalo.

Em Interlagos, neste fim de semana, acontecem as corridas do quinto evento do ano. A categoria 997, principal, terá as nona e décima etapas, uma amanhã e outra no domingo. A Light, com os carros modelo 996, tem corrida única, quinta etapa, no sábado. Narro todas elas para as transmissões do evento pelo Speed Channel. Que ocorrerão depois do SporTV mostrar as provas, o que provavelmente vai acontecer na quinta-feira que vem, com narração de alguém da casa e comentário do infausto e enciclopédico Rodrigo Mattar, também editor do blog A Mil por Hora. Mas nada disso é novidade pra ninguém.

A novidade que chegou aos meus ouvidos desatualizados hoje cedo, aqui no autódromo, é a confirmação de que a categoria vai expandir fronteiras. A exemplo do que já fizeram a Stock Car e a Fórmula Truck, o Porsche Cup, um dos irmãos caçulas do automobilismo brasileiro – nasceu em 2005 –, terá uma etapa extra-campeonato em Buenos Aires, no dia 25 do mês que vem. Evento completo, com rodada dupla da 997 e uma prova da 996. Não haverá nenhuma série argentina junto. O que é uma pena para nós que vamos para lá, porque as categorias argentinas estão entre o que há de melhor no automobilismo de todo o mundo.

Dener Pires, o cacique da festa porscheana (inventei agora essa palavra horrível, seguramente será censurada), conta, até com certa obviedade, que o evento em Buenos Aires é uma espécie de embrião na intenção que se tem de internacionalizar a categoria.

Não sei o que falta, na verdade. O Porsche Cup, como categoria e como evento de automobilismo, não fica devendo nada a ninguém.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Máquinas quentes

O título aí de cima até que tem impacto. Mas, como dizem os jornalistas, é chupado. Resgatei-o da promoção que uma marca de chicletes promoveu há uns 30 anos, quando eu ainda era um fedelho de bolso. Você comprava o chiclete e levava uma figurinha de coleção com fotos de carros capazes de satisfazer todos os gostos.

O evento, em si, não chega a ser nada que se aproxime das farras feitas pela turma do Flavio Gomes em torno de carros antigos, mas é um dos programas que vou lamentar perder por não passar o fim de semana em Cascavel.

Falo de um Encontro de Carros Antigos que vai movimentar o Shopping West Side entre sábado e domingo. Uma denominação errada, já que quem vai se encontrar são os colecionadores de Cascavel e de várias outras cidades aqui de perto, e não os próprios. Enfim, soa compreensível a todos. Os organizadores anunciam 80 exemplares de diversos gêneros.

Entre os destaques listados pela comissão está um modelo octagenário, e até agora ninguém que eu tenha consultado soube explicar qual é o modelo do carrinho fabricado em 1928. Um Chevrolet Bel Air de 1951 é outro convidado especial. A lista contempla ainda Aero-Willys, Maverick, Corvette e um sem-número de caminhonetes que, mesmo com suas características modificadas, mantêm o aspecto nostálgico de suas épocas. Para quem tem pouco conhecimento de causa, ou nenhum, como eu, não deixa de ser uma interessante viagem ao passado do mundo automotivo. Esse, aliás, é um quase jargão meu, já o apliquei em várias situações em locuções de automobilismo. Preciso me reciclar.

Já confirmaram participação e presença os colecionadores dos grupos Facção 8, Antigos de Cascavel, Fusca Ar Club Cascavel – essa rapaziada deu um show no autódromo daqui há duas semanas, desfilando relíquias e mais relíquias entre as baterias do Regional de Marcas & Pilotos –, Chevetteiros Cascavel, Opaleiros e Catarautos, este de Foz do Iguaçu. A festa também terá um palco montado ao ar livre para que os presentes possam apreciar os repertórios das bandas de rock Black Sabbath Cover e Matilia Sideral.

Vai ser a terceira edição do evento, que pela primeira vez também abrirá espaço para os primos mais novos Chevette e Opala. Se fosse ficar por aqui durante o fim de semana, eu seguramente apareceria por lá com meu “tubarão” 77.

Vendo as fotos de algumas das máquinas que vão expor no, até penso que Gomes, que costuma rechear seu blog com histórias, eventos e curiosidades sobre carros antigos, quereria dar uma rápida passada pelo shopping. Até porque há tempos está devendo uma visita a Cascavel, o baixinho.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Meu nome é Luc!

Não que me envergonhe disso, mas fato é que, por meras e particulares dificuldades logísticas, não consegui assistir ao horário político nenhuma vez. Sempre faço questão de lamentar um pouco antes da hora o nível dos que se predispõem a, como dizem, nos representar no poder público. Mas ando numa correria dos diabos, falta tempo para tudo, é essa a verdade.

Tenho lido e ouvido que o nível dos incautos candidatos da atual campanha vem superando os limites do ridículo. O que me induz, por também ser um sujeito ridículo, a aventar minha eventual candidatura. Não penso ser vereador, deputado, governador, senador, esses cargos em que mesmo os eleitos enfrentam uma concorrência desleal.

Serei presidente da República. Isso. É assim que vou dar minha parcela de contribuição à mãe gentil, que de gentil não me tem manifestado absolutamente nada ultimamente. Para tanto, vou providenciar já minha filiação ao PQP, o Partido Qualitativo Popular.

Como serei presidente, tenho de pensar na coletividade. Logo, já tenho rascunhadas algumas prioridades do meu plano de governo, sempre aberto a sugestões. Ei-las:

* Exército nas ruas para fuzilar sumariamente qualquer motoqueiro que trafegue utilizando o limite entre duas faixas de trânsito. Não será uma medida muito popular em megalópoles como São Paulo e Cascavel, é sabido. Contudo, meu governo não vai configurar uma gestão caça-votos. Vou governar para a coletividade.

* Congressistas prestarão trabalho voluntário, problema deles se moram longe. De segunda a sexta. A meta é reunir, de todo o Brasil, uns 14 deputados e seis senadores. Difícil, mas não impossível. Meu governo não sucumbirá aos desafios.

* No meu governo, dinheiro público só será empregado em causas nobres. Um estádio para o Corinthians, para que cessem as piadas alusivas aos sem-teto. Torcedores corintianos terão regalias especiais em tudo que quiserem, claro. Será, afinal, uma nação legitimamente corintiana, e quem não estiver satisfeito que se mande para a Zâmbia.

* Com a lista ainda à espera de ajustes, o ministério do meu governo já está escalado: Edilson Pereira de Carvalho (Justiça), Ronaldo Fenômeno (Nutrição), Beato Salu (Economia), Plínio Arruda Sampaio (Relações Exteriores), Otávio Mesquita (Ação Social), Chimbinha (Cultura), Lula (Turismo, como não?), David Brasil (Porta-Voz da Presidência), Vera Lúcia Sant’Anna Gomes (Criança e Assuntos da Família), Nelson Piquet (Diplomacia Internacional), Luís Fernando da Costa (Segurança Pública), meu provável sucessor Capitão Nascimento (Forças Armadas). Pra Casa Civil não adianta especular nomes. Se não for a Juli, apanho quando chegar em casa, mesmo motivo pelo qual Larissa Riquelme não será escalada ao cargo (?) de primeira-dama.

* Até como forma de incentivo ao homem do campo, plantio, consumo e distribuição da maconha serão legalizados e regulamentados, tal qual ocorre com o tabaco e os cigarros, que estão custando o olho da cara. Apesar de eu não fumar maconha, meu governo será um governo para a maioria. É preciso lembrar que preciso garimpar uns votinhos no meio artístico.

* Sou anti-PT, mas meu governo não será uma panela partidária. Logo, acolhendo nobre sugestão de Edilson Reche (eleitor incondicional de Lula e Dilma), serão acrescentados à lista de benefícios federais o Bolsa Cerveja e o Bolsa Sinuca. Haverá outros, impróprios para o BLuc por haver crianças na parca audiência deste mulambento espaço.

Abre parênteses: foi Reche quem criou o santinho de campanha que abre o post. Como não cobrou nada, não pude mandá-lo ao raio que o partisse por conta da estrelinha com que ilustrou a sigla do partido. Nada de estrelinhas, nem foices, nem martelos. Fecha parênteses.

* Escolinhas de futebol, centros de treinamentos e outras firulas serão desativados pelo Ministério do Esporte, tudo em nome da economia do dinheiro público. Quem quiser praticar atividade física que vá a pé para o trabalho. Se morar perto do local de trabalho, que se mude para mais longe. Nada de vida sedentária.

* No primeiro dia de mandato, instalações como o Palácio do Planalto, Esplanada dos Ministérios, Palácio Alvorada e covis congêneres serão desativadas. O governo federal do PQP vai subsidiar a cada integrante seu um laptop e um pente de internet para conexão a 256 kbps, para que despachem de suas casas. Caem, assim, a farra das passagens aéreas, o auxílio extra ao vestuário (eu, por exemplo, vou despachar de pijama e pantufas), as pencas de assessores que nunca ninguém soube explicar.

* Meu governo porá em estudo uma reforma do mapa político, que vai limitar o Brasil a 26 municípios (Maranhão, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas, etc.) e um subdistrito. É mais barato para o cofre público pagar o salário de 26 prefeitos, um subprefeito e 300 ou 400 vereadores. Governadores, secretários de estado, congressistas em geral só servem mesmo pra dar despesa. Vamos combater o supérfluo. As tias do cafezinho e os meninos que pegam fila no banco e fazem nossa fezinha nas casas lotéricas, claro, terão seus empregos assegurados.

* Aos mármores com o papinho de atenção devida à educação, saúde, emprego e segurança. No meu governo, cada brasileiro vai ser virar por conta própria. Tenho visto que isso não é problema do poder público, então que nenhum cidadão venha me aporrinhar o saco presidencial com cobranças dessa ordem.

* Todo brasileiro terá respeitado o direito de saber ler e escrever, e de tomar café da manhã, almoçar e jantar. Se não o fizer, problema dele. Estarei ocupado aprendendo a jogar pôquer presidencial no computador.

* Pra festa da posse já está contratado o show da dupla Luc & Juli. Que somos, por ordem óbvia, eu e minha patroa. Assim, artista nenhum vai pra imprensa me acusar de calote no cachê. O máximo que posso amargar por conta da insolvência é uma discussão em casa.

Vê-se que sairei um ótimo governante. Nessa, parece-me, não dá mais tempo para registrar candidatura. Mas me aguardem para 2014.

Ah, claro. Conto com seu votinho.